quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

COVID HOMICIDA

 

 

 

 

 

O COVID HOMICIDA

             Edmílson Martins

              Dezembro/2020

  

Covid é falso profeta 

Quer reunir multidão

Pretende matar mais gente

Sem dó e sem compaixão

Dizendo vá faça festa

Não fique na solidão.

  

Esse covid é perverso

Invisível criminoso

É também muito covarde

Maltratando muito idoso

É inimigo da vida

Indecente e belicoso.

 

Esse covid é safado

Não devemos bobear

Tenhamos muito cuidado

Pra ele não nos pegar

Usar a máscara sempre

De outros distanciar.

 

Neste Natal de Jesus

De Herodes homicidas

Dos senhores do mercado

Que não respeitam a vida

Não façamos reuniões

Pra não sermos genocidas.

 

Natal é festa sagrada

Não festa comercial

Essa sede de consumo

Não é festejo normal

O covid coisa ruim

Faz da festa funeral.

  

Cento e oitenta mil mortos

Pela falta de cuidados

De autoridades perversas

A serviço do mercado

De falsos representantes

Já com mandato fraudado.

 

Por isso neste Natal

Louvando o mestre Jesus

O bom Menino da gruta

Depois matado na cruz

Evitemos reuniões

Pedindo a Deus sua luz.

 

Pra proteger a família

Desse corona mortal

Para evitar mais contágios

Com proporção social

Por favor, fique em casa

Nesta festa do Natal.

 

 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

COMPANHEIROS INSEPARÁVEIS

 

                                                                                                                  (Filhos do casal

                                                                                                  


     COMPANHEIROS INSEPARÀVEIS

                                           Edmílson e Maria José

                                            08/12/2020

 

Hoje, 08 de dezembro de 2020, completamos 54 anos de casamento e 56 anos e dez meses de companheirismo. Conhecemo-nos em fevereiro de 1964.

 Foram dois anos de namoro e um ano de noivado. Era assim o período anterior ao casamento. Um tempo de preparação para assumir um compromisso, que seria para a vida inteira.

 E na igreja, perante o altar e o testemunho de centenas de amigos, as promessas de eterno amor e compromisso, compreendendo a longa caminhada por uma longa estrada repleta de rosas, mas nunca rosas sem espinhos.

 Assim, somos parceiros, unidos na luta desde 1964, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na vitória ou na derrota, concordando ou discordando, mas sempre fiéis companheiros de caminhada, em busca da vitória final do amor e da justiça.

 Assim tem sido e assim continuará sendo. Nesses 56 anos de luta, derrubamos muros, construímos pontes, removemos pedras, plantamos flores. Semeamos a boa semente. Colhemos frutos? Sim. Não tudo que desejamos, mas colhemos frutos da semente caída em terra boa.

 Quando assumimos o compromisso da vida em comum, tínhamos em mente a construção de uma família, uma pequena comunidade, no estilo das primeiras comunidades cristãs, que pudesse contribuir para a construção de uma sociedade justa e fraterna.

 Nesse processo de construção, enfrentamos prepotências, perseguições, repressões, prisões e todo tipo de obstáculos. Sempre um lado de nós dizendo que sim e outro lado dizendo que não. Mas resistimos e cultivamos o lado do sim.  Mantendo a vida comunitária, lutamos pela democracia, sufocada pela ditadura; defendemos as liberdades democráticas, participamos da organização de Movimentos Populares; participamos da luta política partidária, etc.

 Terminamos este texto com estas afirmações do escritor Fernando Sabino:
 

“De tudo ficaram três coisas... A certeza de que estamos começando... A certeza de que é preciso continuar... A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar... Façamos da interrupção um caminho novo... Da queda, um passo de dança... Do medo, uma escada... Do sonho, uma ponte... Da procura, um encontro!”

 

 

 

 

 

domingo, 6 de dezembro de 2020

TRISTE MADRUGADA

 

 

               

            TRISTE MADRUGADA...

                Edmílson Martins

                Novembro de 2020

 

O quadro político reinante nos últimos tempos em nosso país, incluindo as eleições municipais de 2020 e as eleições presidenciais de 2018, me faz lembrar o samba “Triste Madrugada”, de Jorge Costa, celebrizado nas vozes de Jair Rodrigues e Beth Carvalho: “Triste madrugada foi aquela/Que eu perdi meu violão/Não fiz serenata pra ela/E nem cantei uma linda canção”.

 Pois é, que triste madrugada estamos vivendo na política do Brasil. Perdemos nosso violão: o povo nas ruas, e não fazemos serenata para a Democracia. Não cantamos uma linda canção. Uma canção para quem amamos, que sai do coração dizendo assim: “Abre a janela amor, abre a janela, dê um sorriso e joga uma flor para nós”.

 Parece que a nossa namorada, prisioneira dos seus algozes, não consegue abrir a janela, não pode dar seu lindo sorriso, nem pode jogar uma flor para nós. Estamos sem violão e sem a namorada, tristes na madrugada.

 Aliás, isso não é novo. Há cinquenta e tantos anos, Chico Buarque, na sua linda canção “Roda Viva”, já dizia: “Não posso fazer serenata/A roda de samba acabou/A gente toma a iniciativa/Viola na rua, a cantar/Mas eis que chega a roda-viva/E carrega a viola pra lá”.

 Ontem, como hoje, sempre a tentativa tirânica de impedir a prática da liberdade, a vivência do amor, o exercício democrático da cidadania, a convivência pura com o que amamos.

 A perda do nosso violão, isto é, do povo participando com o seu legítimo direito de exercer, com ética e liberdade a cidadania, não nos deixa fazer serenata pra ela, pra Democracia, nem cantar uma linda canção. As eleições têm sido uma serenata sem violão. Com nossa voz rouca, sem eco, sem a ajuda do violão, a nossa namorada não pode ouvir a nossa serenata. Nossa voz ficou sem eco. E não podemos cantar aquela linda canção.

 Mas vamos refletir com Milton Nascimento, que há cinquenta anos, na canção “Travessia”, desprezava o usurpador e retomava a caminhada, com coragem e ardor: “Vou seguindo pela vida me esquecendo de você/Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver/Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer/Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver”.

 E ainda com Chico Buarque, que também há cinquenta anos, na canção “Apesar de Você”, semeava a esperança, lançando um grito de alerta, com grave advertência:

“Apesar de você/Amanhã há de ser/Outro dia/Eu pergunto a você/Onde vai se esconder/Da enorme euforia/Como vai proibir/Quando o galo insistir/Em cantar/Água nova brotando/E a gente se amando/Sem parar”.

 
Enfim, mesmo sem violão, vamos em frente inspirados nesses versos da linda canção antiga “Malandrinha”, de 1927, que dizem ser do compositor Freire Junior, eternizada na voz retumbante do cantor Francisco Alves e de outros cantores da MPB:

“Acorda minha bela namorada/A Lua nos convida a passear/Seus raios iluminam toda a estrada/Por onde nós havemos de passar”.