domingo, 16 de agosto de 2026

DOCESS CUIDADORAS


                      DOCES CUIDADORAS

 

                                                 Edmílson Martins de Oliveira

                                                  Rio de Janeiro, agosto de 2026

 

São nossos anjos da guarda

Essas doces criaturas

Que nos tratam com carinho

E muita graça e ternura

Acordam de madrugada

Nos atendem com brandura

 

Maria José pra elas

Não é simples paciente

Mas um ser humano e amiga

Não é simplesmente carente

Com ela são carinhosas

Cuidadosas e prudentes

 

Para cuidar dia e noite

Elas chegam bem cedinho

Ao lado da cama dela

Se colocam com carinho

Esperando-a despertar

Sem pressa, devagarinho

 

Quando ela vai acordando

Cumprimento afetuoso

Preparando-a para o banho

De modo meigo e amoroso

Depois fazem o café

Muito completo e gostoso

 

Essas moças cuidadoras

São sensíveis e humanas

E posso dizer sem erro

Seguras e soberanas

Tratam Maria José

Com fineza franciscana

 

Essas mulheres fantásticas

São musas inspiradoras

Transmitem muita doçura

E intuição criadora

Deixando para o poeta

Impressão encantadora

 

E tem a moça da limpeza

Igualmente fascinante

Que faz tudo com carinho

Com doçura cativante

Faz comida saborosa

Na cozinha é brilhante

terça-feira, 11 de novembro de 2025

LEMBRANÇAS DA MINHA ADOLESCÊNCIA

 

 

 

 Pode ser um doodle de uma ou mais pessoas

    LEMBRANÇAS DA MINHA ADOLESCÊNCIA

                       Edmílson Martins de Oliveira

                        Novembro/2025

 

Como já falei, aos doze anos de idade, saí do Sítio Ipueira, no sertão e fui para a cidade de Crato, região do Cariri, considerada o “oásis no sertão”, por causa da Serra do Araripe, com vasta floresta e fontes de água. Crato, situada no pé da serra, tem os benefícios oriundos daquela chapada do Araripe.

 

Chegando ao Crato no início da minha adolescência, tive alguma dificuldade de adaptação. Sendo da roça, do alto sertão do Ceará, onde as informações eram muito restritas, eu ficava acanhado, no contato com colegas da escola. Tinha pouca conversa. Ficava tímido, sem assunto.

 

E tive que enfrentar os preconceitos que existiam em relação às pessoas da roça, que eram chamados de “matutos”, ou “beradeiros”, “roceiros”, etc. Com isso, as pessoas da roça sentiam-se inferiorizadas. Na verdade, quem morava na cidade era mais bem informado, sabia das coisas. Hoje, com o advento do rádio, da televisão e da internet desapareceu a diferença entre citadinos e sertanejos. Todos têm os mesmos acessos à informação.

 

Nos contatos, sentia-me inseguro. Na cidade, tudo era diferente dos costumes do sertão. Só com o tempo e esforços, fui me ambientando e me adaptando. Penei, mas me adaptei. Aos poucos, fui observando, aprendendo e ensinando. Na roça, aprende-se muitas coisas que na cidade não se aprende.

 

Na escola, embora convivesse com meninos de classe média e, até de classe rica, convivia também com meninos de classe pobre. Com esses, por serem simples como eu, me identificava e me relacionava melhor. Geralmente, a gente se sente melhor, com quem se identifica.

 

Depois de uns três ou quatro anos, quando eu já me destacava, em notas, como primeiro aluno da turma, fui adquirindo mais segurança. Os colegas já me davam mais atenção. Com isso, fui me desembaraçando e me tornando mais bem relacionado.

 

Com um relacionamento social mais amplo, cresceu a quantidade de amigos. A adolescência ficou mais descontraída, mais alegre e romântica, como deve ser essa fase da vida. Com mais relacionamentos, mais amizades, mais emoções, sonhos e fantasias, essa fase é saborosa, multicolorida, com festas, flertes, namoros e outras emoções.

 

Havia na cidade as três classes sociais: pobre, média e rica. Os jovens de classe pobre que estudavam no grupo escolar municipal, geralmente, terminando a quinta série, paravam de estudar. O ensino médio só existia no Colégio Diocesano, masculino e Colégio Santa Teresa, feminino, para jovens ricos ou de classe média, e na Escola Técnica de Comércio da Associação dos Empregados no Comércio de Crato. Escola noturna. Geralmente, lá estudava quem trabalhava no comércio.

 

Durante toda minha adolescência, porque trabalhava no comércio, estudei nessa escola. Concluí o curso comercial básico e o técnico de contabilidade. Lá, conquistei muitos amigos, com os quais passei alegres momentos. Juntos estudamos, trabalhamos, nos divertimos, sonhamos e embelezamos aquela fase da vida com muitas emoções. Tempo inesquecível. A gente revive quando se lembra daquela época.

 

Crato era uma cidade alegre, divertida, considerada o centro cultural da região do Cariri. Lá, eu vivi intensa e gostosa atividade social, até com alguma participação política. Lembro-me do movimento estudantil, com a União dos Estudantes de Crato (UEC), que movimentava muito a juventude estudantil. Lembro-me também dos anos de eleições, dos comícios, das campanhas eleitorais. Ali, comecei a participar da vida social e política, começando também a entender o significado de cidadania.

 

Aos vinte e um anos de idade, quando terminava aquele tempo de adolescência, parti para o Rio de Janeiro, com as lembranças, sonhos e fantasias, em busca de novas aventuras. Já mais amadurecido, sem perder os sonhos e emoções, iniciei outra fase da vida, certamente, com outras características sociais e nova visão de mundo, já contadas em livros e textos, escritos em prosa e versos.

 

 

 

 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

TEMPOS DE SONHOS

 

TEMPOS DE SONHOS

 

                                    Edmílson Martins de Oliveira

                                    Novembro/2025

 

Primeiro, eu alimentava o sonho de ir para a escola. Alfabetizado por José, meu irmão mais velho, de saudosa memória, queria continuar os estudos. No seco sertão onde eu morava não havia escola. Meu irmão Agostinho, que no mês de agosto de 2025 completou 100 anos, morava na cidade de Crato-Ceará e pra lá me levou. Comecei a estudar em escola formal. Sonho realizado.

 

Depois, comecei a sonhar com a busca de melhores condições de vida. Entendi logo que para realizar esse sonho teria que estudar muito. Naquele tempo, ter um emprego no Banco do Brasil era o meu sonho, como o de muitos jovens da minha geração. Era o melhor emprego do país.

 

Foram cinco anos de estudos intensivos. Morando no Rio de Janeiro, em 1962, fiz o concurso, tornei-me funcionário do Banco do Brasil. Sonho realizado. Consegui, a duras penas, o emprego que queria. Foram 24 anos de trabalho no banco, onde adquiri as melhoras condições de vida desejadas.

 

Mas não parei de sonhar. Queria algo mais. Sonhava, e ainda sonho, com um mundo sem desigualdades sociais, sem miséria, sem fome, sem violência, sem guerras, ou seja, um mundo conforme pregou Jesus Cristo no Sermão da Montanha. Ele pregou a implantação do Reino de Deus, com libertação total dos seres humanos. No tempo da Criação, no Jardim do Éden, fora assim.

 

Mas, parafraseando o poeta e compositor Geraldo Vandré, nos sonhos que fui sonhando, as visões foram-se clareando, aprendi a dizer não, porque tudo estava fora de lugar e era preciso viver para consertar. Com vontade firme e braço forte, seria preciso construir um Reino que não tem rei.

 

Então já não me bastava o sonho de estudar e ter um bom emprego. Aprendi com a Igreja, a partir dos Evangelhos e dos documentos sociais do Concílio Vaticano II, que é preciso mudar o mundo, sendo necessário para isso, mudanças pessoais e engajamento nas lutas sociais. Conforme Raul Seixas, “Sonho que se sonha só / É só um sonho que se sonha só / Mas sonho que se sonha junto é realidade". A partir dessa compreensão, muitos estudos, reflexões e ações.

 

A utopia, a busca, a esperança de um mundo melhor permanecem, com a certeza na frente e a História na mão, como diz a canção do Geraldo Vandré “Pra não dizer que não falei de flores”. É difícil? Sim. Mas eu fico com o pensamento do poeta Mário Quintana: “Se as coisas são inatingíveis... ora! /Não é motivo para não querê-las.../Que tristes os caminhos, se não fora/ A presença distante das estrelas”!

 

Os sonhos só se realizam na teimosia da busca, no combate incansável e permanente, na certeza de que a vitória é certa. O mais construtivo e emocionante não é o sonho realizado, mas o combate, o empenho, a persistência pela realização do sonho. Estive e ainda estou engajado nesse projeto até o final da corrida. E convido todos a se engajarem. Vale a pena se a alma não for pequena, conforme o poeta Fernando Pessoa, em “Mar Português”.