segunda-feira, 6 de novembro de 2023

HERODES, BELÉM E GAZA

 

 

 

HERODES, BELÉM E GAZA

                    Edmílson Martins de Oliveira

                     Nov.2023

 

Disseram ao rei Herodes

Tá nascendo um novo rei

Para libertar o povo

Escravos da antiga Lei

Governará novo mundo

Chefiará nova grei

 

Herodes desesperado

Vendo em risco seu poder

Disse lá com seus botões

Não, isso não pode ser

Esse rei que está nascendo

Terá logo que morrer

 

Porém, onde está o menino

É difícil descobrir

Eu tenho que dar um jeito

Ele não pode existir

Matar todas as crianças

É o que vou decidir

 

Herodes mandou matar

Crianças até dois anos

Pela sede de poder

Repetiu tantos tiranos

Ceifou vidas com frieza

Sem sentimentos humanos

 

Hoje tiranos em Gaza

Com gestos de perversão

Destroem vidas humanas

Sem nenhuma compaixão

Falam com descaramento

De falsa libertação

Cumpre-se o que disse o profeta: (Jr 30,15)

“Ouviu-se um grito em Ramá

Com choro e grande lamento

É Raquel que chora seus filhos

E não quer ser consolada

Porque eles não existem mais”.

 

Quem comete atrocidades

Esquece do seu passado

De povo que por seus erros

Foi bastante escravizado

Nunca aprendeu não se lembra

Do seu viver desastrado.

 

 

 

domingo, 5 de novembro de 2023

UNIVERSIDADE GAMA FILHO: DE CENTRO DO SABER A CENTRO DE LAZER

 

 

 

UNIVERSIDADE GAMA FILHO: DE CENTRO DO SABER A CENTRO DE LAZER

 

                                        Edmílson Martins de Oliveira

                                         Outubro/2023

 

A Universidade Gama Filho, centro de desenvolvimento do saber, é transformada em centro de lazer. Ou seja, passa da cultura do “ser” para a cultura do “ter”. Integra-se à lógica capitalista do consumo da diversão e do prazer. Do prazer pelo prazer, sem crítica, sem reflexão, sem questionamentos.

 

Havia na universidade vários cursos: Letras, psicologia, advocacia, jornalismo, Engenharia, medicina, pedagogia, biologia, etc. Era um grande centro de conhecimentos e preparação de profissionais para as diversas áreas de interesses da sociedade.

 

Lá, estudei durante quatro  anos, de 1969 a 1973, no curso de Português/Literatura, formando-me para o magistério. Era um curso noturno, com suas fragilidades, mas com excelentes professores. Mestres que muito contribuíram para o meu interesse nos estudos da Língua Portuguesa e da Literatura.

 

Foi no curso de Letras que entrei em contato com os clássicos da literatura portuguesa, saboreando a epopeia e o lirismo de Camões; o teatro de Gil Vicente; o trovadorismo português da Idade Média; o romantismo de Camilo Castelo Branco; o realismo de Eça de Queiroz; a poética moderna de Fernando Pessoa, etc.

 

Na literatura brasileira, foram intensos e prazerosos os estudos dos nossos clássicos, desde Tomaz Antônio Gonzaga, com seu poema Marília de Dirceu, aos romances românticos de José de Alencar, à poesia romântica de Gonçalves Dias, Castro Alves, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, aos romances realistas de Machado de Assis, aos modernistas Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e os que vieram depois, na prosa e na poesia.

 

Durante os quatro anos, foram, também, intensos os estudos da Língua Portuguesa, a estrutura, gramática, etc. Também os estudos de Linguística, fundamentais para maior compreensão da linguagem, com suas variantes.

Todos esses conhecimentos foram desenvolvidos a partir de muitas informações, reflexões e troca de opiniões entre alunos e professores. A faculdade é realmente um centro de desenvolvimento do saber, um laboratório, onde se aprende pesquisando, fazendo descobertas, adquirindo sempre um novo conhecimento, mantendo e desenvolvendo sempre a cultura.

 

Por tudo isso, é lamentável o fechamento de uma universidade. É um golpe na cultura, no saber, na ciência. É um retrocesso, um passo para trás. Na verdade, uma violência contra a sociedade. Um centro de lazer jamais poderá substituir um centro da cultura e do saber.

 

A cultura, a educação, o conhecimento, o preparo para a vida não interessam ao sistema capitalista, para o qual tudo é consumo, lucro e acúmulo de riquezas. Até mesmo as áreas de lazer, que deviam ser utilizadas como centros de desenvolvimento cultural e educacional, são usadas apenas para entretenimentos e consumo.

 

“Penso, logo existo”, frase  de autoria do filósofo francês René Descartes (1596 – 1650), é, hoje, substituída pela frase “consumo, logo existo”. Lógica que desvaloriza o ser humano e a vida. O ser humano para o terrível sistema é apenas um instrumento de produção de lucro.