sábado, 30 de abril de 2022

DIA 1º DE MAIO DE 2022

 

 

 

 

                        DIA 1º DE MAIO DE 2022

                                 Edmílson Martins                                                                                         

                                  Maio/2022

 

Dia primeiro de maio

Nada pra comemorar.

Em dois mil e vinte dois

Temos muito a lamentar.

Trabalhador brasileiro

Só tem o que reclamar.

 

Nestes cinquenta e oito anos,

Trabalhador só perdeu

Os direitos adquiridos

Que com honra mereceu.

Direitos que são conquista

Com luta e trabalho seu.

 

Ditadura militar,

Ao servir ao capital,

Perseguiu trabalhador

De forma descomunal,

Destruiu suas conquistas

Com retrocesso brutal.

 

Após a vil ditadura

Que conquistas destruiu,

A Ditadura econômica

Continuou no Brasil,

Sugando trabalhador

Com perversas ações mil.

 

Sai governo, entra governo

O capital sempre cresce.

Fome do trabalhador

Sem justiça recrudesce.

Enquanto lucros aumentam

O seu salário decresce.

 

O trabalhador é vítima

De sistema escravagista,

Que explora sem piedade

De forma bem egoísta

Fazendo do ser humano

Peça de suas conquistas.

 

Luta dos trabalhadores

Precisa ser resgatada

Pra combater com firmeza

Ditadura desbragada

Do mau poder econômico

Com suas ações safadas.

 

Sendo assim, nas eleições,

É bom prestar atenção,

E votar em candidatos

Que não aceitem sujeição

Do vil poder econômico,

Que só traz escravidão.

 

sábado, 9 de abril de 2022

SINDICATO DOS BANCÁRIOS

 

 

SINDICATO DOS BANCÁRIOS DO RIO DE JANEIRO

 

                                                Edmílson Martins

                                                 Abril/2022

 

Cheguei ao Rio de Janeiro em 1960 e logo me tornei bancário. Ou melhor, continuei bancário, pois já o era desde 1958, em Crato-Ceará. No Rio, logo fiz concurso para o Banco de Crédito Real de Minas Gerais e lá fui trabalhar.

 

Naquele momento, o mundo andava em efervescência. A Revolução Cubana, iniciada por 12 jovens idealistas, liderados por Fidel Castro, derrubando Fulgêncio Batista, governante corrompido, empolgava a juventude, que sonhava com mudanças sociais.

 

Por outro lado, o papa João XXIII organizava o lançamento do Concílio Vaticano II, que propunha profundas mudanças na Igreja, engajando-a na luta por um mundo justo e fraterno. E havia em povos de todo o mundo um forte desejo de mudanças.

 

O início da década de 1960 foi marcado pelo idealismo e espírito de luta do povo, que, diante dos acontecimentos mundiais, queria participar das lutas por mudanças sociais e políticas. Havia uma certa rebeldia contra o estado de coisas reinante em todo o universo.

 

Eu participava de debates na Igreja, onde se refletia, à luz do Evangelho, sobre a conjuntura mundial e a necessidade de mudanças urgentes. Já se tinha noções básicas dos princípios da Doutrina Social da Igreja, princípios que vieram à tona, com muita ênfase, com o lançamento do Concílio Vaticano II.

 

Sendo bancário, encontrei no Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro jovens idealistas e entusiasmados, que organizavam o sindicato como instrumento de luta pelos direitos dos trabalhadores e por transformações sociais.

 

Eu, que viera para o Rio a fim de ganhar a vida, arrumando um bom emprego, entendi logo que ganhar a vida seria participar da luta por um mundo melhor. Parafraseando Geraldo Vandré, na canção “Disparada”, vi que tudo estava fora de lugar e era preciso viver pra consertar.

 

Na Igreja, eu aprendia os princípios básicos, que me animavam a participar da luta social. O sindicato era o instrumento de luta. A categoria bancária o campo de batalha. Eu via muitos companheiros empenhados altruisticamente na luta sindical, não somente por reivindicações salariais, mas também pela conquista de uma sociedade mais justa e fraterna, sem desigualdades. Isso me animava a participar com intensidade.

 

Eu ficava entusiasmado vendo a grande quantidade de militantes, uns mais e outros menos conscientes politicamente. Dentro dos bancos, percebia e participava de discussões calorosas em torno da situação social e política dos trabalhadores, do Brasil e do mundo.

 

As assembleias para discussão das questões de acordos salariais e condições de trabalho eram amplas. Em certos momentos, reuniam-se em assembleias dez, quinze, até vinte mil bancários, que levavam para os locais de trabalho o calor das discussões das assembleias.

 

A atuação do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro tinha repercussão nacional e ganhava o respeito de sindicatos de trabalhadores de todo o país e de outras organizações sociais. Nas assembleias havia sempre a presença de representantes de organizações atuantes, como a UNE (União Nacional dos Estudantes}, que levavam o apoio de suas categorias.

 

Tudo isso era muito bonito e construtivo. A categoria bancária do Rio de Janeiro crescia politicamente a passos largos e servia de exemplo para outras categorias de trabalhadores e outras organizações sociais.

 

Por isso, o Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro foi um dos mais perseguidos pela ditadura. Com o golpe, o sindicato foi imediatamente ocupado por forças militares, com destituição da diretoria, perseguição e prisão das principais lideranças bancárias.

 

Mas houve resistência. A militância, aguerrida, continuou exigindo o funcionamento do sindicato. Manteve-o aberto até 1972, quando eu fui presidente. Naquele ano, momento mais violento da ditadura, houve intervenção agressiva no sindicato, com minha prisão e de outros companheiros, com destituição de toda a diretoria. Houve um processo, coordenado pela Polícia Federal, logo arquivado pela Segunda Auditoria da Marinha.

 

A continuação da resistência à intromissão da ditadura no sindicato e pelas liberdades sindicais e políticas continuou. Depois de sete anos de intervenção, o sindicato foi reaberto e o movimento sindical bancário teve continuidade, enfrentando a ditadura militar, que terminava e a ditadura do poder econômico, que permanece até hoje.

 

Infelizmente, apesar da resistência, a ditadura implantou o sistema neoliberal, que favorece os banqueiros e o grande capital, em detrimento dos trabalhadores. Com isso, a categoria bancária encolheu. E no Rio de Janeiro, como em todo o país, ficou bastante reduzida.

 

Mas, quero dizer que, entre vitórias e derrotas, o Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro participou decisivamente da defesa e construção da democracia, contribuindo para o amadurecimento e crescimento sociais e políticos de muitos companheiros bancários e de outras organizações sociais.

 

No poema “Mar Português, de Fernando Pessoa, pergunta o poeta: “Valeu a pena”? Ele mesmo responde: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” Pois é, o importante na luta não é a vitória imediata, mas o combate incansável, o caminho percorrido, a boa semente semeada. Como disse outro poeta: “A vida é luta renhida. Viver é lutar”. Entre vitórias e derrotas, nada é fracasso. O importante é o bom combate, a guarda da fé e da esperança e a certeza de que a verdade vencerá.