sexta-feira, 10 de abril de 2020

JOSÉ LUIZ - UM GUERREIRO NO CÉU












UM GUERREIRO NO CÉU
 (Homenagem a José Luiz de Oliveira)
                    Edmílson e Maria José (cunhado e irmã)
                     05/04/2020 - Domingo de Ramos

Quando Zé Luiz nasceu
Um arcanjo anunciou:
“Esse menino vai ser
De Jesus um seguidor
Incansável combatente
Do Exército do Senhor”.

O menino foi crescendo
Em corpo e sabedoria
Aprendendo e ensinando
Uma lição a cada dia
Escolheu ser mariano
Indo a Jesus por Maria.

Zé Luiz, o caminhante
Na busca de horizontes
Evitou levantar muros
Para só construir pontes
Bebeu água cristalina
Colhida em puras fontes.

José Luiz foi bancário
Foi do Banco do Brasil
Querido pelos colegas
Fez amigos, não fingiu
Foi bom profissional
Os seus deveres cumpriu.

Zé Luiz, pai de família
Em parceria de amor
Com a saudosa Derci
Sete bons filhos gerou
Derci foi chamada ao Céu
Zé Luiz continuou.

Hoje partiu para o Céu
Em viagem gloriosa
Recebido pelos anjos
Em festa muito honrosa
Acolhido por Jesus
De forma muito amorosa.

Viveu noventa e dois anos
Combatendo pelo bem
Participou do Exército
Do Menino de Belém
Resistiu, não desistiu
Fazendo o que a Deus convém.

Nascido em Barra Mansa
Em Barra Mansa viveu
Construiu muita amizade
E entre amigos cresceu
Ajudando a construir
O lugar em que nasceu.

Zé Luiz está no Céu
Entre nós sempre estará
Dando força para todos
Por sua vida exemplar
Pedindo à Trindade Santa

Que venha nos ajudar.

DITADURA NUNCA MAIS

















DITADURA NUNCA MAIS (1964/1985}
          (Para não esquecer)

                 
Nosso país sofreu muito           
Com ditadura voraz
Com nosso povo submisso
Ao poder de generais
Por isso, gritemos alto                                                                      
DITADURA NUNCA MAIS.
                                            
Perseguições e prisões
Torturas mortes e mais
Tudo isso pra atender
À gana de capitais
Pois então nunca esqueçamos
DITADURA NUNCA MAIS.

Pelos direitos humanos
Por liberdades gerais
Pela defesa da vida
Com plena justiça e paz
Digamos com muita força
DITADURA NUNCA MAIS.

Contra o sistema corrupto
De práticas liberais
Por liberdades humanas
Pelos valores morais
Por nossa felicidade
DITADURA NUNCA MAIS.

Por um viver democrático
Por respeito aos desiguais
Por livre opinião
Contra a censura aos jornais
Em defesa da cultura
DITADURA NUNCA MAIS.

Pelas novas gerações
Pelas moças e rapazes
Por avós filhos e netos
Pelos nossos ancestrais
Pelo povo vitimado
DITADURA NUNCA MAIS.

Nunca vamos esquecer
Aqueles débeis mentais
Que tratavam nosso povo
Com gestos de satanás
Assim sendo, DITADURA

E TORTURAS NUNCA MAIS.

AGNELA, MINHA IRMÃO PARTIU


















MINHA IRMÃ AGNELA PARTIU
Edmílson Martins
20/03/2020

Partiu hoje para o Céu
A minha irmã Agnela
Um grande coral de anjos
Está cantando pra ela
Recebendo com carinho
Essa nordestina bela.

Foi minha segunda mãe
Me tratava com doçura
E na minha meninice
Cuidou de mim com ternura
E mesmo nas peraltices
Me acalmava com brandura.

Ficou noventa e dois anos
Por aqui peregrinando
Cumpriu bem sua missão
Trabalhando e educando
Cumprindo o mando de Deus
Crescendo e multiplicando.

Casada com Joaquim
Em parceria de amor
Foi mamãe de onze filhos
Criados com muito ardor
Nunca perdeu a paciência
Nem também o bom humor.

Eu guardo muitas lembranças
Com ela lá no sertão
Quando alegres convivíamos
Com nossos pais e irmãos
Lá tudo é testemunha
Do viver em união.

Nosso Deus misericórdia
Com seu amor e bondade
Resolveu levá-la agora
Lá para a eternidade
Dando-lhe justo descanso
Junto à sua divindade.

Meus parabéns, mana Agnela
Por sua vida exemplar
Peça aí à Trindade
Para aqui nos ajudar
Diga que nós precisamos
De ajuda pra caminha
 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

MEU DEPOIMENTO NA COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE



Meu depoimento na Comissão Nacional da Verdade sobre a repressão ao Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro.

AMAZÔNIA




  


 







AMAZÔNIA
                Edmílson Martins
                     Rio, fevereiro de 2020

Amazônia, mundo verde       
De belezas naturais
Suas águas, suas matas
Purezas ambientais
Sua fauna, sua flora
E riquezas minerais.

Ela é pulmão do mundo
Produz oxigenação
Dióxido de carbono
Combate com perfeição
Elimina impurezas
Da grave poluição.

A Amazônia está chorando
Por cruel devastação
Desmatamentos, queimadas
Perversa destruição
Quando ferem a Amazônia
Ferem nosso coração.

O verde que era verde
Anda muito amarelado
Águas que emanam da mata
Hoje estão enlameadas
Com a vida das espécies
Bem pouco oxigenada.
                                                  

O papa Francisco junta
Bispos do mundo inteiro
Pra discutir a Amazônia
Vítima do madeireiro
Porque ela é do mundo
E do povo brasileiro.

Por ter criado a Amazônia
Louvado seja o Senhor
Então é bom que cuidemos
Da obra do criador
Prega a Igreja fiel
A Cristo libertador.

Os senhores do mercado
Com sua cruel ganância
Destroem toda a floresta
Sem nenhuma temperança
Animais, árvores, gente
São vítimas dessa lambança,

Contra tal destruição
Rebela-se a natureza
Com clima descontrolado
E rios sem correnteza
Com todo o meio ambiente
Perdendo sua beleza.

Convido à rebelião
Todos os bichos da mata
Jacarés, peixes dos rios
Micos, cobras e lagartos
Para salvar a floresta
Seu ambiente de fato.

Ribeirinhos, Quilombolas
Resistam em sindicatos
Indígenas, povo bravo
Não tolerem desacatos
Todo o povo brasileiro
É bom não ser tão pacato.


O TROPEIRO: SERENIDADE E HUMOR





O TROPEIRO: SERENIDADE E HUMOR

                               Edmílson Martins
                               Fevereiro/2020


Num tempo passado, no sertão, o transporte de cargas era realizado por tropas de burros, conduzidas por homens experientes, serenos e corajosos, chamados tropeiros.

Eles transportavam para as cidades a produção de arroz, milho, feijão, algodão, rapadura, etc. E da cidade para o campo, as mercadorias necessárias para o trabalho e consumo da população campesina.

Os tropeiros eram desbravadores de estradas do sertão. Conheciam com detalhes os caminhos por onde passavam. Conduziam as tropas com muita habilidade e paciência.

Eles eram profundos conhecedores das características do burro, animal resistente, dócil, cauteloso e, às vezes, muito teimoso. Os tropeiros adestravam os burros com tanta habilidade, que os animais desempenhavam o trabalho com muita desenvoltura.

Em torno dos tropeiros, havia muitas histórias engraçadas, contadas com muita graça, por hábeis contadores de histórias, muito comuns no sertão. Eles teatralizavam as histórias com tanta arte que ficavam na mente e no coração dos ouvintes, como realidade.

Uma dessas histórias conta que, certo dia, um tropeiro conduzia sua tropa pela estrada, devagar, paciente, com toda a serenidade que lhe era característica.

De repente, surgiu atrás dele um carro, com o motorista buzinando, com insistência, pedindo passagem. Como a estrada era estreita e não havia acostamento, o tropeiro foi retirando devagar sua tropa.

Então o motorista gritou:
- Aí, tropeiro, retira logo teus burros do caminho que eu preciso passar com meus cinquenta e cinco cavalos.
O motor do carro tinha a potência de cinquenta e cinco cavalos.

O tropeiro, com toda tranquilidade, foi retirando seus burros para a beira da estrada, dando passagem ao carro, sem nada falar.

O carro passou, com olhar debochado do motorista. E o tropeiro continuou sua jornada, tangendo sua tropa, conduzindo seus animais, mantendo sempre a serenidade.

Depois de algum tempo de caminhada, o tropeiro avistou o carro que, desgovernado, caíra dentro de um açude. Foi se aproximando e, vendo o motorista, foi à forra, gritando com muito humor:
- Hei, amigo, tá dando de beber à manada?

E seguiu sua viagem, conversando com os burros, sempre bem humorado, cauteloso e sereno.