sábado, 4 de janeiro de 2020

O DIRETOR, O DELEGADO E O JUIZ









 









O DIRETOR, O DELEGADO E O JUIZ

                           Edmílson Martins
                           Janeiro de 2020


Eu tinha 14 anos de idade e o meu primo Heron (de saudosa memória) 15 anos, em 1952.

 Eu e ele estudávamos na Escola Técnica da Associação dos Empregados no Comércio de Crato, Ceará, à noite. Eu na quinta Série e ele no primeiro ano básico, hoje, sexta série do Ensino Fundamental.

Certa noite, estávamos eu, meu primo e um amigo, chamado Nílton, conversando na calçada da escola, quando chegou o Wílson, com quem o Nílton tinha alguma desavença.

Os dois começaram a brigar. Eu e meu primo tentávamos separar os dois para acabar com a briga. Mas enquanto segurávamos o Wílson, que era mais forte, o Nílton pegou uma pedra e tacou na cabeça dele, causando um pequeno ferimento. O sangue jorrou.

Dois funcionários da escola chegaram e nos seguraram. Levaram-nos para a sala do diretor, que também era diretor de um banco local. Homem sisudo, rigoroso, pavor dos alunos da escola. Era muito mais administrador do que educador.

Eu e meu primo tentamos dizer que era apenas uma briguinha de colegas e que nossa participação era uma tentativa separá-los. E que. Infelizmente, um feriu o outro com uma pedra. Coisa que não pudemos evitar.

O diretor não aceitou nossas explicações e, em vez de chamar nossos familiares por nós responsáveis, chamou o delegado. Era um capitão da polícia. Um homem corpulento, de feições duras, ameaçador. Seu aspecto duro não denotava compaixão. Metia medo na gente.
 
Como éramos menores, não nos podia prender. Colocou-nos num jipe e nos levou ao juiz local. Dirigiu-se a um hotel onde o juiz estaria em reunião. Lá esperamos até onze horas da noite, quando informaram que o juiz não estava naquela reunião.

Bem mal humorado, o delegado nos levou à residência do juiz. Já era quase meia noite, quando ele acordou o doutor, que atendeu vestido de pijama.
O delegado deu explicações. O juiz ouviu, circunspecto e incomodado. E falou assim ao delegado:
- O senhor, a essa hora da noite, me acorda para fazer queixa de quatro adolescentes, por causa de uma briguinha entre eles!

Nós quatro, nesse momento, já estávamos solidários e, no íntimo, batendo palmas para o juiz, contra o carrancudo delegado.

Então continuou o juiz:
- Senhor delegado, esses probleminhas têm que ser resolvido com os pais desses meninos, que a essa hora já deviam estar dormindo. Leve-os de volta para suas casas.

E dirigindo-se a nós, disse, de forma paternal e compreensiva:
- Vão para casa e não briguem mais, tá?

O delegado, com cara de tacho, colocou-nos no jipe e nos levou de volta à escola. E disse ao diretor:
- O juiz é muito bonzinho, mandou trazer os meninos de volta e levá-los para casa.

O diretor e secretária da escola, também com caras de tacho, não sabiam o que dizer. Já tinham chamado o meu primo mais velho, com quem morávamos, que nos levou para casa.

Ficaram pra lá o delegado truculento, o insensato diretor, mais administrador do que educador, e a lembrança do simpático juiz que ficou do nosso lado.
Quanto a mim, meu primo e os dois amigos, continuamos nossa vida. No dia seguinte já conversávamos amigavelmente. E comentávamos a truculência do diretor e do delegado e a benignidade do juiz que nos acolheu com simpatia.









terça-feira, 31 de dezembro de 2019

MARIA JOSÉ E AS FLORES

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MARIA JOSÉ E AS FLORES

                  Edmílson Martins
                  Dezembro  de 2019


Pousando ao lado das flores
Ela demonstra carinho
E cuida dos seus amores
Como se fossem filhinhos.

Cuidando das rosas brancas
Ela cuida do jardim
Com muito amor bota banca
Tratando as flores assim.

Às lindas flores vermelhas
Entrega seu coração
Com elas fala serena
Demonstrando gratidão.

No jardim tudo beleza
Todas as flores são belas
Pela sua singeleza
A mais bonita é ela.

As flores são musas puras
Inspiram este cordel
Porém, ela entre todas
Parece anjo do Céu.

Lá no meio das ninfas flores
Ela distribui doçura
Deixando o jardim mais doce
Com a sua formosura.




SOU NORDESTINO, SOU BRASIL












SOU NORDESTINO, SOU BRASIL

                          Edmílson Martins
                          Novembro 2019


Eu sou lá do Ceará
Do Piauí, nordestino
Sou mineiro, sim senhor
Carioca por destino
Sou do Espírito Santo
Paulista desde menino.

Também sou de Pernambuco
Do Rio Grande do Norte
Paraíba, Zé Américo
Sou paraense por sorte
Indígena do Amazonas
Do Maranhão, povo forte.

Sergipano, alagoano
Sou gente do Paraná
Sou de Santa Catarina
Gosto da gente de lá
Do Rio Grande do Sul
Sou gaúcho singular.

Eu sou também do Amapá
E sou sem titubear
Tocantins, Acre Bahia
Todo estado brasileiro
Com o seu povo fagueiro
Que trabalha todo dia.

E também sou de Rondônia
Sou caboclo seringueiro
Eu sou de todo lugar
Até do Rio de Janeiro
Estou perto da Bolívia
Mas sou povo brasileiro.

Depreciando o nordeste
Um tal presidente ignaro
Demonstra incompetência
E completo despreparo
Pra governar o país.
Precisamos deixar claro.





sexta-feira, 15 de novembro de 2019

MAURÍCIO, O REBENTO



















MAURÍCIO, O REBENTO

                  Edmilson e Maria José (pais)
                   15/11/2019


Dia quinze de novembro
Nasceu o primeiro rebento.
Na hora de rebentar
Lá no Engenho de Dentro
Corremos para a Lagoa
Bem velozes como o vento.

E lá pelas treze horas
O Maurício rebentou
Quase nascendo no táxi
Preferiu a mão do doutor
Segurou para nascer
A mão de nosso Senhor.

Hoje, Maurício é pássaro
Que canta, toca e arrebenta
Que mora lá montanha
E bons ideais sustenta
Com as fadas e duendes
Muitos sonhos acalenta.

Parabéns, filho Maurício
Nosso primeiro rebento
Continue arrebentando
Desenvolvendo os talentos
Que na vida seja sempre
Um criador de eventos.

sábado, 9 de novembro de 2019

CORDEL - RAVI ANIVERSÁRIO




















ANIVERSÁRIO DO RAVI

                Vovô Edmílson
                 Vovó Zezé

                 Rio, 09/11/2019


Hoje Ravi faz um ano
Ravi Sol que nos aquece
É um menino sapeca
Que muitos mimos merece
Esquenta vida da gente
E dele ninguém se esquece.

Ravi é neto querido
Que só faz o que convém
E tudo que ele apronta
Não incomoda ninguém
Quando diz venham comigo
Todos bem rápido vêm.

Parabéns Ravi menino
Sol que ilumina e aquece
Que os anjinhos do Céu
Façam a Deus uma prece
Pedindo para você
Tudo que você merece.