" Fiz a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores". (Cora Coralina)
quarta-feira, 17 de abril de 2013
ENCONTRO DE AMIGOS
ENCONTRO DE AMIGOS - CONVITE
eDMÍLSON mARTINS
Amigo temos prazer
E muita satisfação
De enviar-lhe este convite
Para uma reunião
Um reencontro de amigos
Em nosso singelo abrigo
Local de recordação.
O local do reencontro
Você já bem o conhece
É no bairro de Água Santa
Quem cá esteve não esquece
Na Garcia Vasques, nobre
Que tem número um, dois, nove
Rua que todos aquece.
A data: 13 de abril
A partir das duas horas
Que será tarde de outono
Sem o calor que apavora
No quintal que tem mangueira
Com capim santo e amoreira
Sabiá que cantarola.
Amigo, sua presença
É pra nós muito importante
Porque sua vida histórica
Tem caráter relevante
Está muito ligada à nossa
Que sem vaidade, sem troça
É vida de militantes.
Haverá boas conversas
E amostragem de boa arte
Com música e poesia
Cada ator com sua parte
Momentos de relembranças
Dos anos de militâncias
Sem fuzil ou bacamarte.
Rio, 03/04/2013
Edmílson e família
sábado, 2 de março de 2013
RENÚNCIA DO PAPA
RENÚNCIA DO PAPA
Por Edmílson Martins (março/2013)
O papa renunciou
Valei-me São Malaquias
Oh! Santo Anjo do Senhor
Será mesmo a profecia?
Será um dos sinais dos tempos?
Nosso mundo está virado?
O que fez o papa Bento
Ter logo renunciado?
Tantas coisas tão falando
Que já fico encabulado
Fim do mundo está chegando
Ou estão todos enganados?
O papa diz que a saúde
Não o permite governar
Sendo assim que Deus o ajude
Não o deixe desanimar.
Dizem as línguas ferinas
Que parece uma armação
Pois a cátedra petrina
Desperta muita ambição.
Pras bandas do Vaticano
Tudo é tão sigiloso
Que por debaixo dos panos
Ocorre o misterioso.
Os poderosos do mundo
São perigosos é certo
Com seus projetos imundos
Já tentaram no deserto
Tentaram tirar Jesus
Do plano da salvação
Mataram ele na cruz
Por não aceitar corrupção.
Com Jesus tudo era claro
Sim era sim, não era não
E com certeza declaro
Foi contra toda armação.
Que a tal sucessão papal
Seja livre e transparente
Que seja transcendental
Com o Espírito presente.
Que Jesus seja louvado
No novo papa escolhido
Que seja representado
Por alguém bem destemido.
Que os maus poderes do mundo
Fiquem longe do conclave
Que satanás vagabundo
Não se apodere da chave.
Que a Igreja com papa novo
Assuma novo caminho
Esteja ao lado do povo
E do Mestre com carinho.
O Projeto do Concílio
Precisa ser retomado
Que venha em nosso auxílio
Um papa bem inspirado.
Papa João “Paz na Terra”
Paulo VI “paz e justiça”
Combateram contra a guerra
Contra tudo que enfeitiça.
Esses dois papas saudosos
Precisam ser relembrados
Os seus atos valorosos
Precisam ser imitados.
O papa deve ser nobre
Como Pedro o pescador
A Igreja tem que ser pobre
Como foi nosso Senhor.
Que o novo papa abra a Igreja
Deixe o mundo nela entrar
Seja forte na peleja
Não deixe Satã ganhar.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
FRACOS DIRIGENTES
Por Edmílson Martins
(fev/2013)
E agora meu povo
As festas passaram
O clima esfriou
E todos calaram
E cessou a alegria
Com a qual dançaram.
Agora vamos pensar
Em nosso país real.
Há que se cuidar da vida
Que não é só carnaval
Atentemos para os fatos
Lá do Planalto Central.
Gigante por natureza
Nosso Brasil mãe gentil
Vem sendo desrespeitado
Embaixo do céu de anil
Por safadas transações
De mafioso covil.
Tudo está sendo tramado
Lá no Planalto Central
Concreto de Niemeyer
Transformou-se em lamaçal
Cidade de Juscelino
Abrigo de marginal.
Todo o povo brasileiro
Está sendo apunhalado
Por deputados na Câmara
E integrantes do Senado
E também pelo PT
Que já foi partido honrado.
Lembrando o orador romano:
Até quando abusarão
Da paciência do povo?
Até quando a traição?
Esses tais representantes
Sempre impunes ficarão?
Primeiro privatizaram
Empobrecendo a nação
Com sacrifício do povo
Em favor do tubarão
Trazendo muita amargura
E grande desilusão.
O mensalão vem depois
Produzindo indignação
Com tantos parlamentares
Praticando corrupção
Pondo o mandato do povo
Na lama e na podridão.
O Congresso está minado
De falsos representantes
No Executivo também
Escândalos são constantes
Conluio com Legislativo
Deixa o país flutuante.
O mais recente conluio
Foi na eleição do Senado
Elegendo senador
Por crimes denunciado
Envergonhando o país
Com ato despudorado.
Pra completar a sujeira
Começada no Senado
Governo também apoia
Pra dirigir deputados
Um parlamentar suspeito
De alguns crimes acusado.
Lembrando Camões, poeta
Esses fracos dirigentes
Com tais mediocridades
Tornam fraca a forte gente
Enfraquecendo a nação
Com seu povo dependente.
Mas nem tudo está perdido
Pois há no povo esperança
E bastante indignação
Produzindo sem tardança,
Com a luta persistente,
Situação de bonança.
Mas precisa vigilância
Sem esmorecimento
Não deixar que nos enrolem
Com os falsos argumentos
Exigir um fazer ético
Do governo e parlamento.
Um dia, tenho certeza
Nosso país mudará
Quem hoje está no poder
O seu trono perderá
Pois Deus sendo forte e bom
Os humildes erguerá.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
TIBOR SULIK - Construtor da Esperança
(Por Edmílson Martins -15/01/2013
Tibor Sulik foi pro Céu
Pois cumpriu sua missão
Por aqui peregrinou
Combateu sem omissão
Fiel à causa do Reino
Foi crente da redenção.
Sendo operário do Reino
Foi construtor da Esperança
Militou na Ação Católica
Pela Paz contra a ganância
Apesar de perseguido
Manteve a perseverança.
Compromisso com a Igreja
E a Doutrina Social
Sustentou por toda a vida
Bem coerente e leal
Nunca abriu mão dos princípios
Guardando ética e moral.
Na defesa da Justiça
Participou com firmeza
Sempre em favor dos mais fracos
Se colocou com grandeza
Fazendo opção pelos pobres
Viveu sempre na pobreza.
O Tibor foi combatente
Pelas causas populares
No Movimento Operário
Apesar dos militares
Nos Movimentos da Igreja
Nas ações familiares.
O regime militar
O colocou na prisão
Mas ele não se afastou
Da sua fé e convicção
Não se deixou amedrontar
Portou-se como cristão.
O Tibor chegando ao Céu
Apresentou-se a São Pedro
Que disse: “olá companheiro”
Vá entrando não tenha medo
A turma está lhe esperando
Pra começar o folguedo.
No Céu encontrou companheiros
De batalha e construção
Que estão no Reino de Deus
Onde não tem corrupção
Onde se vive a Justiça
Em perfeita comunhão.
São tantos os companheiros
Que é difícil nomear
Que estão no Céu reunidos
Prontos para festejar
A chegada do bom Tibor
Que Deus resolveu chamar.
TRAGÉDIA NA BOATE KISS
Por Edmílson Martins
Fevereiro/2013
Tantos jovens vigorosos
Dançando, pedindo bis
Morreram asfixiados
Na fatal boate Kiss
Todos vítimas sem dúvida
Das loucuras do país.
Num país cuja estrutura
Serve mais ao capital
Ser humano que se dane
Só lhe basta carnaval
Pão, circo música pop
Futebol e coisa e tal.
Dinheiro, poder, prazer
Lema do capitalista
Os crescimentos humanos
Não constam da sua lista
Usa sempre o ser humano
Pra desejos egoístas.
O dono do capital,
Que domina a economia,
Só pensando nos seus lucros
Vítimas faz todo dia
Até maiores tragédias
Não tiram sua alegria.
Pois foi o sistema perverso
Bem versado em covardia
Que provocou tantas mortes
No local Santa Maria
E causando tantas lágrimas
Muita tristeza e agonia.
Grandes mestres já ensinaram:
Todos nascemos pra “ser”
Não resolve a ansiedade
E tanta busca do “ter”
Que adianta ter a vida
E a vida plena perder?
Viver os valores plenos
E cultivar a verdade
Exige luta constante
Com muita seriedade
Requer não se submeter
Às loucas falsas verdades.
O sistema de consumo
Feito dragão da maldade
Nos apresenta o hedonismo
Como suprema bondade
Divertir e consumir
São sempre prioridades.
Que aquela festa funesta
De tristeza e solidão
Muito embora lamentável
Seja pra todos lição
E motivo de mais luta
Contra o poder do dragão.
Um mundo justo e sadio
Precisa ser construído
Onde possamos viver
Sem traumas e sem gemidos
Um mundo sem opressão
Bem livre, sem oprimidos.
Não adianta lamentar
Ou mesmo apontar culpados
Mas sejamos vigilantes
Previdentes e engajados
Na luta de construção
Desse mundo desejado.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
FIM DE ANO
(Por Edmílson Martins)
Mais um ano terminando
E todos nos enganamos
Passando a vida pensando
Que o tempo e não nós passamos.
Em folguedos de fim de ano
Os contrastes se aprofundam
Muitos entram pelo cano
E lucros superabundam.
Muita gente no mercado
Paga com cartão de crédito
Com carros superlotados
Sem pensar que virá débito.
Pelas ruas vejo gente
Com bolsas cheias na mão
Também vejo indigentes
No lixo catando pão.
Neste mundo de contrastes
Com gente passando fome
Consumismo é desastre
Muito desrespeito ao homem.
Comprar, comer e beber
Eis hoje a grande questão
Mas a fome de prazer
Pode dar indigestão.
Nesta vida passageira
É bom prestar atenção
Evitar fazer besteira
Pra não ter desilusão.
domingo, 16 de dezembro de 2012
HISTÓRIAS DOS ANOS DE CHUMBO
Edmílson Martins - Rio, 2010
Corriam os anos 60. O nosso país, nocauteado pelo golpe militar, estava tonto e cambaleante. Os militares, “perdidos de armas na mão”, não sabiam como conduzir os acontecimentos. Viam inimigos do regime em toda esquina.
“Para se manterem no poder, os golpistas estabeleceram a “caça às bruxas”“. Isso consistia em perseguir, prender, torturar e até matar aqueles que, de uma forma ou de outra, se manifestassem contra a ditadura. Pretexto: “são comunistas e subversivos”. Daí a repressão aos trabalhadores, estudantes, artistas, intelectuais e à cultura em geral.
Nessa euforia repressiva, multiplicaram-se os agentes do regime, os “dedos-duros”, o autoritarismo e os fatos ridículos. Muitos se sentiam com o dever de prender qualquer cidadão que se manifestasse contra a ordem estabelecida. Nesse sentido, surgiram muitas piadas e estórias, umas verdadeiras, outras, fruto da criatividade do povo brasileiro.
Uma dessas estórias conta que um delegado, no Estado do Paraná, acompanhado de soldados armados, chegou a um teatro, onde estava sendo apresentada a peça “Electra”, para prender o autor. Quis saber dos atores onde se encontrava o tal de Sófocles, perigoso comunista, autor da peça subversiva. E não acreditou quando informaram que Sófocles, autor de várias outras obras da Mitologia Grega, viveu 500 anos antes de Cristo, na Grécia. Foi difícil convencer o delegado, que durante algumas horas ameaçava prender todos e não dissessem onde se encontrava o autor.
Outra estória que se contava com muita graça era a do coronel que, discordante do regime, andando à paisana nas ruas, gritava: “Essa revolução é uma merda”! “Essa revolução é uma merda”! Um sargento, ouvindo-o, deu-lhe voz de prisão. Levou-o para a cadeia. Lá ficou preso em uma cela. Quando os oficiais superiores souberam da prisão do coronel, foram lá libertá-lo. Então o coronel, ao passar em frente à cela onde já estava preso o sargento, falou, com ironia: “Não te falei, sargento, que essa revolução é uma merda”?
Outra estória (com feições de verdadeira) foi sobre a música “Apesar de Você”, feita por Chico Buarque, claramente contra a ditadura, no seu momento mais cruel, no governo Médici, início da década de 1970. Durante um ano a música ficou nas paradas de sucesso em todo o Brasil. O povo entendeu logo o recado. As pessoas pilheriavam: “Ué, a censura da ditadura só entendeu depois de um ano”?
Eram estórias engraçadas, irônicas e picantes, que tinham por objetivo desmoralizar a ditadura, usadas como forma de resistência.
Essas estórias corriam de boca em boca e se alastravam pelo país. Eram contadas nas universidades, nos meios sindicais, nos ambientes de trabalho, nos meios populares etc., sem que a censura pudesse impedir. Regime nenhum pode controlar a imaginação e criatividade do povo.
Assinar:
Postagens (Atom)