sábado, 1 de novembro de 2025

PROGRAMADOS PARA MATAR

 

PROGRAMADOS PARA MATAR

                       Edmílson Martins de Oliveira

                        Novembro/2025

 

“OS HOMENS TAMBÉM MARCHAM

                      Maurício Martins

                       1984

 

LÁ EM CIMA, AVIÕES.

CÁ EMBAIXO, EXPLOSÕES.

 

ERA UM MUNDO CHEIO DE SOLDADOS

BEM ARMADOS, ORDENADOS, ENSINADOS

PRA MATAR.

TODOS ELES COM UM PENSAMENTO,

UM FUZIL, UM JURAMENTO:

SUA PÁTRIA SALVAR.

 

AOS MILHÕES OS CORAÇÕES EM CORES

DESENHAVAM NESSE QUADRO

A SAÍDA PRA VIVER.

COLORINDO A MORTE COMO ARTE

UM VERMELHO ESCARLATE

UM DESTINO SEM SABER.

 

CERTO DIA APARECEU UM HOMEM

DIFERENTE DESSA GENTE

MEIO LOUCO, MEIO DEUS

QUE ACHAVA JEITO PARA TUDO

ATÉ MESMO PRO MUNDO

QUE NO FUNDO ERA SEU.

 

DAS IDÉIAS DESSE HOMEM LOUCO

DAS PALAVRAS POUCO SÉRIAS

QUE ELE TINHA A DIZER

SEUS AMIGOS E SEUS INIMIGOS

O SEU GOVERNO E O POVO

RIRAM TANTO SEM SABER.

 

MAS A VIDA CERTA DAS PESSOAS

QUE DIZIAM NÃO SER LOUCAS

FINALMENTE ACABOU

E ACONTECEU NUM SÓ GEMIDO

SEM DEIXAR LOUCO VENCIDO

NEM LOUCO VENCEDOR”.



 


Esses os versos da música/poema “Os homens também marcham”, composta por Maurício, meu filho, aos 17 anos de idade, em 1984, quando cursava o Ensino Médio. A música, interpretada por ele, foi classificada em segundo lugar num festival estudantil, promovido pelo seu colégio.

 

Ainda na adolescência, começando a juventude, Maurício já vislumbrava um mundo caótico, violento, com soldados programados pra matar, para, incoerentemente, a pátria salvar. E nesse quadro, milhões de corações buscavam a saída pra viver.

 

Certo dia apareceu um homem com ideias diferentes, que achava jeito para tudo. Mas todos riram das ideias loucas desse homem. O governo e o povo riram tanto sem saber o que estavam fazendo. Mas a vida certa das pessoas, que diziam não ser loucas, finalmente acabou. Tudo acabou num só gemido, sem deixar louco vencido, nem louco vencedor”.

 

Pois não é o que está acontecendo hoje? O governo de Israel, ensandecido, programado pra matar, destrói, com aviões e explosões, a vida de milhares de pessoas, que só querem encontrar uma saída pra viver. Rússia e Ucrânia promovem uma guerra sem fim, com milhares de vidas destruídas. Em outras partes do mundo, também a destruição. O que vale não é o bom senso, a vida. A prioridade é a morte como solução. Loucura de pessoas que acham estarem certas.

 

E essa loucura, hoje, domina o nosso país, encharcado de violência em todos os recantos. Os poderosos, dos podres poderes, fazem chegar, perversamente, a todo o povo, a ideia das soluções pela violência. E envenenam corações e mentes. Tudo com desejos de dominação e escravidão.

 

E a chacina promovida no Rio de Janeiro pelo governo do Estado, usando soldados armados, com um fuzil e um juramento, programados pra matar, é um exemplo do quadro desenhado pelos versos do Maurício. O governador manda matar, em vez de oferecer às pessoas uma saída pra viver.

 

É bom que o povo acorde, ouça as palavras sensatas, construtivas, em favor da vida do homem considerado louco. É bom acordar, antes que tudo acabe num só gemido, sem deixar louco vencido, nem louco vencedor.

 

 

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